Videobrasil > Interviews with the artists Ali Cherri and Basir Mahmood are published in the platform Mapping Residencies / Entrevistas com os artistas Ali Cherri e Basir Mahmood são publicadas na plataforma Mapping Residencies

Mapping Residencies, a publication focused on artist residencies and contemporary art, has published interviews with the artists Ali Cherri and Basir Mahmood. In conversation with the publication staff, the artists give an account of their residency experience at A-I-R Laboratory and Instituto Sacatar.
Link to access the forum.


Ali Cherri
. Lebanon. Residency network and program: Videobrasil 18th Festival / Res Artis Award 2013 at A-I-R Laboratory (Warsaw, Poland) – 2014

– Living in Lebanon, a country with practically no subsidies from the state for the arts makes one always look for alternative modes of production. Most artists in Beirut have to have another job in order to survive, and be able to produce their work. This situation pushes for more inventive ways of being an artist. The other obstacle is state censorship. There are topics that are considered “taboo” subjects, like religion, the army, and the head of state. Being critical about any of these subjects can get you in trouble. This does not mean artists abide by this implicit rule, but many times artworks make it to the headlines and steer political tensions.

The last obstacle would be the lack of non-commercial spaces to show work. The city’s vibrant scene is not compensated with enough art spaces and museums or institution to show local arts. Many of the artists show their work much more outside of the country. For the past couple of years I have been navigating between Beirut and Paris, where I am working with a French gallery. This is a great opportunity for me to be able to produce and show my work on an international platform.

– Artist mobility has become one of the essential elements for artistic production. To be in a new city, find new inspirations, and meet new people is all part of the creation of an artwork. Being part of Air Program helped open a new research territory. I am currently working on a project about archeology, investigating excavation sites that are falling in ruins. Being in Warsaw, a city that was completely destroyed post Second World War brought new insights to my project. Questions of traces, ruins, and reconstruction are all in the heart of contemporary Warsaw. During the residency, I became interested in maquettes and miniatures that one finds in the city, representing a building or a monument that was once there. These architectural models are signs of absence; a trace of trace that is now lost.

– As an artist, talking about my work, meeting people, creating connections with institutions is definitely very important. But it is also a tricky exercise. I try to limit this activity while creating new work, because it can become very distracting. But once a work is done or an exhibition has opened, I like to be available for people interested in my work. In contemporary art, people are interested more and more with the artist than just the artwork. People like to know the process, the story, and the personal input. I try to do this by creating a network around me, people that I meet in person, with whom I discuss the work in depth, and who then can relay this information. But at the end of the day, the work itself is still the center of any relation or network.


Basir Mahmood
. Pakistan. Residency network and program: Videobrasil – Sesc_Videobrasil residency prize, at Sacatar Institute (Salvador, Brazil) 2014 || Akademie Schloss Solitude fellowship (Stuttgart, Germany) 2011/2012

– I face no as such obstacle to pursuit my practice in Pakistan; the only issue I have, I never get an opportunity to practically live as an artist, and hold this identity. Most of my struggle goes into making people believe to what I do. Especially when I work with participants, here it’s even more difficult because there are no galleries and museums to use as a reference, to explain them what I do. But eventually all these struggles support my work, and become part of it.

– I believe it’s absolutely essential for an artist to relocate; it strengthens the sense of comparison. After having an opportunity to stay in a different context. I have much more references to work with and they are somehow becoming part of my current project. It was also a good chance for me to thoroughly look into my own practice, where it is coming from and where I could possibly take it.

– I had a chance to dig into other artist’s practice during my stay, and had many discussions to share similarities and differences. Also I had a chance to meet other professionals, which might open other opportunities in future.


 Mapping Residencies, uma publicação sobre residências artísticas e arte contemporânea, publicou entrevistas com os artistas Ali Cherri e Basir Mahmood. Em conversa com a equipe da publicação, os artistas fazem um balanço de suas experiências nas residências A-I-R Laboratory e Instituto Sacatar.
Link de acesso ao fórum.


Ali Cherri
. Líbano. Rede de residência e programa: 18º Festival Videobrasil / Prêmio Res Artis 2013 no
A-I-R Laboratory (Varsóvia, Polónia) – 2014

– Viver no Líbano, um país praticamente sem subsídios do Estado para as artes nos faz sempre procurar por modos alternativos de produção. A maioria dos artistas em Beirute precisa ter outro emprego para sobreviver e produzir seu trabalho. Esta situação leva a formas mais criativas de ser um artista. O outro obstáculo é a censura do Estado. Alguns temas são considerados assuntos “tabu”, como a religião, o exército, e os chefes de Estado. Ser crítico em relação a qualquer um desses assuntos pode gerar complicações. Isso não significa que os artistas cumpram esta regra implícita, mas muitas vezes as obras acabam nas manchetes e levam a tensões políticas.

O último obstáculo é a falta de espaços não-comerciais para mostrar o trabalho. A cena vibrante da cidade não é compensada com espaços de arte, museus ou instituições suficientes para mostrar a arte local. Muitos dos artistas mostram seu trabalho muito mais fora do país. Nos últimos anos, tenho navegado entre Beirute e Paris, onde estou trabalhando com uma galeria francesa. Esta é uma grande oportunidade para eu poder produzir e mostrar o meu trabalho em uma plataforma internacional.

– A mobilidade dos artistas tornou-se um dos elementos essenciais para a produção artística. Estar em uma nova cidade, encontrar novas fontes de inspiração e conhecer novas pessoas são situações que fazem parte da criação de uma obra. Fazer parte do Programa do Air me ajudou a abrir um novo território de pesquisa. Atualmente estou trabalhando em um projeto sobre arqueologia, investigando sítios de escavações que estão se transformando em ruínas. Estar em Varsóvia, uma cidade que foi completamente destruída após a Segunda Guerra Mundial, trouxe novas perspectivas para meu projeto. Questões relativas a vestígios, ruínas e reconstrução estão no coração da Varsóvia contemporânea. Durante a residência me interessei por maquetes e miniaturas que podem ser encontrados na cidade e representam edifícios e monumentos que no passado estiveram presentes lá. Estes modelos arquitetônicos são sinais da ausência; um rastro de um traço que agora está perdido.

– Como artista, falar sobre o meu trabalho, conhecer pessoas e criar conexões com instituições é definitivamente muito importante. Mas é também um exercício complicado. Eu tento limitar essa atividade durante a criação de um novo trabalho, porque pode se tornar algo que te tira do foco e te distrai. Mas, uma vez que um trabalho está terminado ou que uma exposição está aberta, gosto de estar disponível para as pessoas interessadas em meu trabalho. Na arte contemporânea, as pessoas estão cada vez mais interessadas pelo artista do que apenas pela obra. Elas gostam de conhecer o processo, a história e o aspecto pessoal da obra. Tento fazer isso criando uma rede em torno de mim, com as pessoas com quem me encontro pessoalmente, com quem discuto o trabalho em profundidade, e que, em seguida, podem retransmitir esta informação. Contudo, no final do dia, o trabalho em si ainda é o centro de qualquer relação ou rede.


Basir Mahmood
. Paquistão. Rede de residência e programa: Videobrasil / Prêmio de residência Sesc_Videobrasil no Instituto Sacatar (Salvador, Brazil) 2014 || Akademie Schloss Solitude fellowship (Stuttgart, Germany) 2011/2012

– Eu não encontro obstáculos para exercitar minha prática no Paquistão; o único problema que encaro é nunca ter a oportunidade de viver de maneira pratica como um artista e manter esta identidade. Grande parte da minha luta está em fazer as pessoas acreditarem naquilo que eu faço. Especialmente quando trabalho com colaborações é ainda mais difícil explicar a eles o que eu faço, porque aqui no Paquistão não existem galerias e museus para usar como referência. Mas, finalmente, todos essas lutas apoiam, estruturam o meu trabalho e tornam-se parte dele.

– Acredito que é absolutamente essencial para um artista se mudar, se realocar; fortalece o senso de comparação. Depois de ter a oportunidade de estar em um contexto diferente eu adquiro muito mais referências para trabalhar e elas estão de alguma forma tornando-se parte do meu projeto atual. Também foi uma boa oportunidade para eu olhar cuidadosamente para minha própria prática, da onde ela vem e onde eu poderia levá-la.

– Eu tive a chance de me aprofundar na prática de outro artista durante a minha estadia e em muitas conversas pude compartilhar semelhanças e diferenças. Também tive a oportunidade de conhecer outros profissionais, o que poderá criar outras oportunidades no futuro.

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About Associação Cultural Videobrasil

A Associação Cultural Videobrasil dedica-se ao fomento, difusão e mapeamento da arte contemporânea, bem como à formação de público e ao intercâmbio entre artistas, curadores e pesquisadores. Destina especial atenção à produção do circuito geopolítico Sul (que compreende América Latina, Caribe, África, Oriente Médio, Europa do Leste, Sul e Sudeste asiático e Oceania) e promove a existência de uma ativa rede de cooperação internacional.

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