Gustavo Jardim > Meditation on a plane // Devaneios de avião

Going to Teheran, I was reading “The short life”, by Uruguayan Juan Carlos Onetti, a suggestion from the writer and friend Teodoro Rennó, from Belo Horizonte; it was also suggested on the back cover by the equally pataphysical Julio Cortázar, Argentinian, who points Onetti as the splendid cradle of Latin American novel. The reading mixes limits between the screenplay that the character produces and the outlines of the life he lives, being imagined by his writer and us, spectators of his doubts. Reason dances the game of musical chairs, between everyday life and fiction; fiction enters and takes its place at the table, and becomes common to the reality. Even in the most visceral Latin American realisms, like Roberto Bolaño, we can see Truth waiting its turn to sit on the circle and, sometimes, is excluded of the list of possible conclusions.

Latin America was consecrated as a known and fertile ground for what was conventionally called “marvelous realism” in the literary world. The expression includes many different forms of text, but I believe a clue for the literary dream that develops at the Andes is precisely on the sublime nightmare of Comte de Lautréamont, another Uruguayan, at his “Songs of Maldoror”, which threatens us in the terrain where reality is disguised as the most dreadful version of itself. This comes to my mind while going to Persia. We count Borges, Casares, Xul Solar, Macedonio Fernandez and Julio Cortázar himself, to stay only with Argentinians, among other memorable authors capable of transfigure living matter into an illusion of fiction and give reality back in form of questions. It looks like fiction, but it isn’t, it’s a matter of particular experience, an approach that is on board of the event. Is that really so or the distant highness is affecting me?

Daydream: state of mind of who is taken by remembrances, dreams and images.

I walk away from Latin America, but it looks like I’m going back. Art has this retroactive power over time, to make spaces vibrates in simultaneous directions, in usual times. I keep reading Onetti while thinking about Persian films that make similar operations with the language of reality, in cinema, like this Makhmalbaf’s pearl, “A Matter of Innocence”:

I arrive at 6 AM to meet new guests:

http://kooshkresidency.com/about-kooshk/

Bellow, a picture of the one-month house, at Kooshk Residency, Teheran


A caminho de Teerã estava começando a ler “A vida breve”, do uruguaio Juan Carlos Onetti, indicado pelo escritor e amigo Teodoro Rennó, de Belo Horizonte; igualmente indicado na contracapa pelo igualmente patafísico Julio Cortázar, argentino, que aponta Onetti como berço esplêndido do romance latino americano. A leitura faz confundir limites do roteiro que o personagem produz, com os contornos da própria vida que vive, sendo fantasiado por seu escritor e por nós, espectadores de suas dúvidas. A razão dança a dança das cadeiras, entre o cotidiano e à ficção que adentra tomando lugar à mesa, se tornando comum à realidade. Mesmo nos realismos mais viscerais em terras latinas, como em Roberto Bolaño, podemos ver a verdade esperar sua vez para sentar-se ao círculo e, vez ou outra, é excluída do rol de conclusões possíveis.

A América Latina consagrou-se assim terreno fértil e reconhecido para aquilo que se convencionou chamar “realismo fantástico”, no mundo literário. O termo abrange muitas formas diferentes, mas acredito que uma pista para no sonho literário que corre nos Andes esteja justamente no pesadelo sublime do Conde de Lautreamont, outro uruguaio, nos “Cantos de Maldoror”, que nos ameaça em terrenos onde a realidade se disfarça da ficção mais pavorosa de si própria. Isso me vem à cabeça a caminho da Pérsia. Contamos Borges, Casares, Xul Solar, Macedônio Fernandes e o próprio Julio, para ficar só nos argentinos, entre outros memoráveis, capazes de fazer transfigurar a matéria viva em ilusão de ficção e devolver a realidade em forma de pergunta. Parece ficção, mas não é, trata-se de uma experiência particular, uma abordagem que está a bordo do acontecimento. Será que é isso mesmo ou é a altura longínqua que afeta?

Devaneio: Estado de espírito de quem se deixa levar por lembranças, sonhos e imagens.

Me afasto da América Latina, mas parece que estou indo de novo ao encontro dela. A arte tem esse poder retroativo sobre o tempo, faz os espaços vibrarem em direções simultâneas, em tempos comuns. Vou lendo Onetti enquanto penso em filmes persas que fazem operações semelhantes com a linguagem do real, em cinema, como esta pérola do Makhmalbaf, “Um Instante de Inocência”:

https://www.youtube.com/watch?v=p5HJPyLz8rA

Chego 6 da manhã para encontrar os novos convivas:

http://kooshkresidency.com/about-kooshk/

Foto da nova casa por um mês, na Kooshk Residency, Teerã:

 

kooshk

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About Gustavo Jardim

Filmmaker and video artist, working in the fields of cinema, literature and new media. Director of the collaborative production center DuRolo, which receives artists and art collectives, developing projects with many diferent approaches. Master degree in Film Language and Education on going for the Federal University of Minas Gerais. Works with art education with indigenous tribes and communities with rates of social risk.

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