Videobrasil > Interview with Nurit Sharett / Entrevista com Nurit Sharett

In conversation with Videobrasil staff, the artist Nurit Sharett comments her residency experience at Red Gate Residency.

VB: What were your expectations concerning the residency and the institution at which you undertook it?
NS: I went to China without any expectations. I was open to a new experience in a totally new country, which I knew would be a very different place than anywhere I have been to before.

The only subject I was thinking about before my departure to China was the awareness to the fact that I will always be treated as a foreigner. I am used to feel “at home” in many countries, and to be accepted as a local, even in Brazil. But in China, I knew that I was going to face a new experience and I was looking forward to it.

VB: Would you say that the residency experience was according to your expectations?
NS: The residency program was perfect for me. I was free to do whatever I wanted and had the best conditions. A friendly and very helpful coordinator, Emma which is now the director of the residency. She welcomed us warmly on the first day and helped us with all the wishes and questions we had. From trivial questions like places to shop and directions to connecting us with people we wanted to meet. Besides that, we were well informed about art activities in town as exhibitions and cultural activities.

I had the special experience of staying in different places. The first month we stayed in the outskirts of Beijing, in a big studio in Faijacun. This was a unique experience, living for one month by a very poor Chinese village. I made contacts with the villagers through my camera. Using mostly smiles and a few words.

The second month, we spent in a small apartment in a great location in downtown Beijing. This was a very different experience, which allowed me to explore Beijing as a local. I was riding a bicycle and had a daily routine including a Tai Chi class in the neighborhood park.

VB: After these two months, what has left the deepest impression on you in terms of personal experience? Can you already tell that something will impact upon your creative process?
NS: The deepest impression is probably the great feeling of being in a new place for a long period of time which made me feel that I was not a tourist but not a resident either. I was free to explore. To collect impressions, to be curious, to communicate with a smile, with my camera, with mimic and pantomime, without the problematic of criticism to the state, its’ politics and problems, as I am at home.

What impressed me most by the Chinese and that I try to take with me, was their belief in happiness as an important component in life. It is too early to know how it influences my creativity. I did take a lot of pictures and filmed there. But I didn’t start editing yet. I need to put the material aside in order to be emotionally detached from the material.

VB: Which projects or activities did you engage in during your residency?
NS: I was working on my own as I always do.
During the first month, I was filming and taking still photographs at the village with the wish of producing a portrait of the village and its’ people. I focused on the village, and visited the city only a few times, knowing I was going to have a whole month in Beijing later.
I spent most of my time in the village, observing and trying to communicate with the people.

During the second month I was exploring the city and trying to collect impressions with my camera. Those were more “moments in the city” with less communication.

I discovered a little park near the apartment we lived in, and my daily routine started there. I was filming the various activities and practiced Tai Chi with a local group.

VB: In general lines, would you say that the residency has brought up new issues, or did it just create new opportunities for you to address issues that were already there in your work? Whatever the case, how did that take place?
NS: As for now, before producing a new work from or after my residency in China it seems as this time created new opportunities to continue with my way of working with the difference of working from a point of view of collecting impressions without a political or personal questions. My work mostly departs from my own biography. This time I was exploring a new and different place and I tried to capture characteristic moments and places without a specific theme. Usually I start a project with a subject I am trying to research.

VB: Apart from artistic research, what other activities did you perform during your residency? How relevant were those activities to your artistic experience?
NS: As I said before, I took daily Tai Chi classes during my stay in the city. This was a very special experience. The teacher and the group accepted me without any hesitation, and I easily became a part of the group. Hardly anyone spoke english, and the teacher was correcting my movements and explaining me with his eyes and hands only, which made me concentrate in a new way, with my body only. It is too early to estimate and understand the Tai Chi experience on my artistic experience. I hope to find a Tai Chi teacher in Israel and to make Tai Chi a part of my routine here as well. With the belief it has a positive influence on body and mind, and therefore on me as an artist as well.


Em conversa com a equipe do Videobrasil, a artista Nurit Sharett comenta sua experiência em residência na Red Gate Residency.

VB: Quais eram suas expectativas em relação à experiência de residência no seu percurso artístico e à instituição que a recebeu?
Eu fui para a China, sem quaisquer expectativa. Eu estava aberta a uma nova experiência em um país totalmente novo, que sabia que seria um lugar muito diferente de qualquer lugar em que já estive.

A única questão em que estava pensando antes da minha partida para a China foi a consciência do fato de que seria sempre tratada como uma estrangeira. Estou acostumada a me sentir “em casa” em muitos países, a ser aceita como uma local, mesmo no Brasil. Mas na China eu sabia que iria enfrentar uma nova experiência e estava ansiosa para isso.

VB: Você diria que a experiência de residência foi de acordo com suas expectativas?
O programa de residência foi perfeito para mim. Eu estava livre para fazer o que queria e tinha as melhores condições. A coordenadora era simpática e muito útil, Emma, que é agora a diretora da residência. Ela nos acolheu calorosamente no primeiro dia e nos ajudou a solucionar todos os nossos desejos e perguntas. Desde questões triviais como lugares para fazer compras e direções, até nos conectar com as pessoas que queríamos conhecer. Além disso, também nos deixou a par das atividades de arte na cidade, como exposições e atividades culturais.

Tive a oportunidade especial de ficar em dois lugares diferentes. O primeiro mês ficamos nos arredores de Pequim, em um grande estúdio em Faijacun. Esta foi uma experiência única, vivendo por um mês em uma aldeia chinesa muito pobre. Fiz contato com os moradores através de minha câmera. Usando principalmente sorrisos e algumas palavras.

O segundo mês, passamos em um pequeno apartamento com uma excelente localização, no centro de Pequim. Esta foi uma experiência muito diferente, que me permitiu explorar Pequim como uma local. Andava de bicicleta e tinha uma rotina diária, que incluía uma aula de Tai Chi no parque do bairro.

VB: Passados estes dois meses, o que deixou uma impressão mais profunda em você em termos de experiência pessoal? Você já pode dizer que algo terá impacto em seu processo criativo?
A impressão mais profunda foi, provavelmente, a grande sensação de estar em um lugar novo por um longo período de tempo, o que me fez perceber que eu não era uma turista, mas também não era uma residente. Eu estava livre para explorar. Para coletar impressões, para ser curiosa, para me comunicar com um sorriso, com minha câmera, com mímica e pantomima, sem a problemática da crítica ao Estado, de sua política e de seus problemas, como estou em casa.

O que mais me impressionou em relação aos chineses e que tento levar comigo foi a sua crença na felicidade como um componente importante na vida. É muito cedo para saber como isso irá influenciar na minha criatividade. Tirei um monte de fotos e filmei muito lá. Mas ainda não quero começar a editar. Preciso colocar o material de lado, para me desvincular emocionalmente dele.

VB: Em quais projetos ou atividades você se envolveu durante sua residência?
NS: Eu estava trabalhando sozinha, como sempre faço.
Durante o primeiro mês, eu estava filmando e tirando fotografias still na aldeia com o desejo de produzir um retrato dela aldeia e de seus habitantes. Estava focada na aldeia e visitei a cidade apenas algumas vezes, sabendo que depois teria um mês inteiro em Pequim. Passei a maior parte do meu tempo na aldeia, observando e tentando me comunicar com as pessoas.

Durante o segundo mês explorei a cidade e tentei recolher impressões com minha câmera. Aqueles eram mais “momentos na cidade”, com menos comunicação.

Descobri um pequeno parque perto do apartamento em que vivíamos e minha rotina diária começou ali. Filmava as diversas atividades e praticava Tai Chi com um grupo local.

VB: Em linhas gerais, você diria que a residência trouxe à tona novas questões, ou criou novas oportunidades para você tratar de questões que já estavam em seu trabalho? Seja qual for o caso, como é que isso se deu?
NS: Por enquanto, antes de produzir um novo trabalho a partir de ou após a minha residência na China, parece que este tempo criou novas oportunidades para continuar com a minha maneira de trabalhar porém com a diferença de agora querer produzir a partir do um ponto de vista da coleta de impressões sem questões políticas ou pessoais. Meu trabalho na maior parte das vezes parte da minha própria biografia. Desta vez eu estava explorando um lugar novo e diferente e tentei capturar momentos característicos e lugares sem um tema específico. Normalmente eu começo um projeto a partir de um assunto que estou tentando pesquisar.

VB: Para além da pesquisa artística, que outras atividades que você realizou durante sua residência? Quão relevantes foram estas atividades para sua experiência artística?
NS: Como escrevi antes,durante minha estadia na cidade tive aulas diárias de Tai Chi. Esta foi uma experiência muito especial. O professor e os alunos me aceitaram sem qualquer hesitação e eu facilmente me tornei parte do grupo. Quase ninguém falava Inglês e o professor corrigia meus movimentos me explicando apenas com seus olhos e mãos, o que fez com que eu me concentrasse em uma nova forma, com apenas o meu corpo. É muito cedo para estimar e compreender a experiência do Tai Chi na minha experiência artística. Espero encontrar em Israel um professor de Tai Chi e tornar sua prática uma parte da minha rotina também por aqui. Com a crença de que ele exerce uma influência positiva sobre o corpo e minha mente e, portanto, em mim como artista também.

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About Associação Cultural Videobrasil

A Associação Cultural Videobrasil dedica-se ao fomento, difusão e mapeamento da arte contemporânea, bem como à formação de público e ao intercâmbio entre artistas, curadores e pesquisadores. Destina especial atenção à produção do circuito geopolítico Sul (que compreende América Latina, Caribe, África, Oriente Médio, Europa do Leste, Sul e Sudeste asiático e Oceania) e promove a existência de uma ativa rede de cooperação internacional.

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