Videobrasil > Interview with Virginia de Medeiros / Entrevista com Virginia de Medeiros

In conversation with Videobrasil staff, the artist Virginia de Medeiros gives an account of her residency experience at Residency Unlimited.

VB: What are the similarities and differences between your birth place (where you live) and the place of your residency? How did you experience the changes related to language, culture, environment, dynamics, etc?
VM: NYC is a system in which all kinds of situations, figures, materials, gestures and significants are arranged around a central organizer. The differences are numerous. I lived at the heart of multiculturalism: borders defined, hospitality and respect. In the same territory, the interaction without mixtures between people with different habits and customs. It’s very private, I’ve never experienced it anywhere else. It’s always very exciting moving from your territory and from your personal boundaries. Not speaking the language is a key to a different kind of communication. In every precarious condition something jumps from you – resistance and creation go together. And, at the same time, everything amplifies in the sense of feeling, the instinct to embrace the adversity is the best bet in this game. Every loss is gain.

VB: What were your expectations concerning the residency experience in your artistic process and regarding the institution at which you undertook it?
VM: I expected develop a new work directed toward the universe of trans men – people who were born female, but that need to be recognized socially as men. Also called FTM (abbreviation:. Male to female, female to male Emphasizing the transition process). Well, I knew I could count on full support from Residency Unlimited, because we had already started a dialogue. But due to the invitation to attend the 31st Biennial of São Paulo, I’ve returned to work with Sergio, character in the film “Sergio e Simone”. The residency period was used to dwell on the new filmed material, to think of a new edition and a more immersive assembly.

VB: In general lines, would you say that the residency has brought up new issues? Did it create new opportunities for you to address issues that were already there in your work? Whatever the case, how did that take place?
VM: The residency prompted me to deal with issues that are present in my work, showed me that NYC is a place that can bring me new opportunities. Because there is a great identification between my investigative research, the process of my work and the local scene.

VB: How would you say the experience of displacement has impacted upon your artistic career? Can it be said that it resonates or resonated in your work even after it was over? How?
VM: The latency of creating in an unfamiliar place generates a destabilizing state, another inflection ruled on the body. Without the usual everyday the movements have won another rhythm that resembled the trance. Another language, another culture, vibration … The feeling is that I’ve left to the center of the world and into the hollow of me, reaching an equidistant point between what I say and what I do not know., reaching an equidistant between what I say and what I do not know. In this state, a kind of subtle communication guides me. It’s like I could access another dimension or another quality of interaction with the world. This is creating in residency, I consider myself an artist in residency. It is the best place for my production.


A artista Virginia de Medeiros, em conversa com a equipe do Videobrasil, faz um balanço de sua experiência em residência na Residency Unlimited.

VB: Quais as semelhanças e as diferenças entre o seu local de origem (onde vive) e o local onde fez a residência? Como você vivenciou as mudanças em relação a língua, a cultura, o ambiente, a dinâmica, etc?
VM: NYC é um sistema no qual todos os tipos de situações, de figuras, de materiais, de gestos e de significantes se dispõem em torno de um centro organizador. As diferenças são inúmeras. Vivi o cerne da multiplicidade cultural: fronteiras definidas, hospitalidade e respeito. Num mesmo território, o convívio sem misturas entre pessoas de hábitos e costumes diversos. Isso é muito particular, nunca vivenciei em nenhum outro lugar. É sempre muito excitante se deslocar do seu território e de seus limites pessoais. Não falar o idioma é uma chave para uma outra espécie de comunicação. Em toda condição precária algo salta de você –  resistência e criação caminham juntos. E ao mesmo tempo, tudo se dilata no sentido das sensações, o instinto de acolher as adversidade é  a melhor cartada nesse jogo. Toda perda é ganho.

VB: Quais eram suas expectativas em relação à experiência de residência no seu percurso artístico e à instituição que a recebeu?
VM: Tinha como expectativa desenvolver um novo trabalho direcionado para o universo dos trans homem – pessoas que nasceram no sexo feminino, mas que tem necessidade de serem reconhecidas socialmente como homens. Também denominados de FTM (sigla em inglês: female to male, do feminino para o masculino. Dando ênfase ao processo de transição).  Bem, sabia que poderia contar completamente com o apoio da Residency Unlimited, porque já havíamos iniciado o diálogo. Mas com o convite para participar da 31a Bienal de São Paulo, retomei o trabalho com Sergio, personagem do filme “Sergio e Simone”. O período de residência foi utilizado para me debruçar sobre o novo material filmado, pensar numa nova edição e numa montagem mais imersiva.

VB: Em geral, você diria que a residência instigou novas questões? Criou novas oportunidades de lidar com questões que já estavam presentes em seu trabalho? Em qualquer caso, como isso se deu?
VM: A residência instigou-me a lidar com questões que estão presentes no meu trabalho, mostrou-me que NYC é um lugar que pode me trazer novas oportunidades. Porque há uma identificação muito grande da minha pesquisa investigativa, do meu processo de trabalho, com a cena local.

VB: Como você diria que a experiência de deslocamento impactou sua trajetória artística? É possível dizer que ela reverbera ou reverberou em sua obra, mesmo após o período de sua realização? Como?
VM: A latência de criar num lugar desconhecido gera um estado desestabilizador, uma outra inflexão pronunciou-se sobre o corpo. Sem o habitual cotidiano os movimentos ganharam um outro ritmo que se assemelhou ao do transe. Uma outra língua, uma outra cultura, vibrações… A sensação é de que parti para o centro do mundo e para o oco de mim, chegando num ponto equidistante entre o que falo e o que desconheço. Neste estado, uma espécie de comunicação sutil me guia. É como se eu pudesse acessar uma outra dimensão ou uma outra qualidade de interlocução com o mundo. Isso é criar em residência, eu me considero uma artista de residência. É o melhor lugar para minha produção.

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About Associação Cultural Videobrasil

A Associação Cultural Videobrasil dedica-se ao fomento, difusão e mapeamento da arte contemporânea, bem como à formação de público e ao intercâmbio entre artistas, curadores e pesquisadores. Destina especial atenção à produção do circuito geopolítico Sul (que compreende América Latina, Caribe, África, Oriente Médio, Europa do Leste, Sul e Sudeste asiático e Oceania) e promove a existência de uma ativa rede de cooperação internacional.

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