Ayrson Heráclito> Dakar’s Diary / Diário de Dakar

I arrived in Dakar at midnight on April 5th, after an almost twenty-four hours trip with a stopover in Lisbon, where I made a small downtown excursion with codfish and “pastel de nata” (pastry cream) in Rossil. Just when I arrived, I noted a difference in the quality and operation of the airport. The bus that took us to the visa room was really precarious. All the space as well. It’s far from any expectation already lived in the simplest road in Northeastern Brazil. Despite that, the whole process was absolutely calm, even knowing absolutely nothing of the french mixed with the wolof that police officers spoke. I was sent to a booth where I made my biometric registration. Thumbs, forefingers and a cover photo on a next generation equipment. All in a certain chaos, compounded by agressive sounding of a non tonal language that guided the procedure. Well, the police officer, when identified my Brazilian origin, took me directly to the delegate visas, signed my document and greeted me with a large smile saying: “Les brésiliens sont toujours les bienvenus”. He wore a militar uniform that immediately reminded me Lieutenant Heráclito, my father. This relieved my tension and, in a way, I felt that Ogum energy opened my way to Africa. Already with the passport stamped, I went to pick up the luggage, which were already on the mat and then I take them to the X-ray. Alright: my luggage wasn’t opened and they didn’t question the amount of photographic equipment I was carrying. I left with my stuff in a cart for an outdoor patio, surrounded by guardrails and on the outside I saw people with hotels nameplates and many taxi drivers who approached me insistently. I looked for Koyo and didn’t found her. So I remembered of her orientations to call her right when I arrive. But how could I do it, if my telephone was not working here? That’s when a young boy with registered identification at the airport approached me asking if I wouldn’t want to call from his phone to my contact. I did so, finally talking with Koyo who asked me to pass the phone to the young to arrange where I should expect her. The young asked me a payment for the service, I asked “how much?”and he told me “two beers”. As I only had euros in my pocket, I offered him € 5,00. Koyo arrived in five minutes, she’s beautiful and always elegant, welcoming me and saying how happy she was to see me. We talked about the trip and we were entering in a dimly lit and empty Dakar. On the way we passed through a large tent precariously set up on the border of a wide avenue where occurred an Islamic religious celebration.

It was a holiday for two reasons: the Independence and Easter. We arrived on Raw, where I was introduced to my studio and I was instructed about the accommodation operation – the bathroom, the kitchen structure, the cabinets etc.

I asked about the internet, because I needed to send news to Val. We try to put the wi-fi password on my phone and didn’t worked. Koyo told me they recently changed the password and in the following day everything will be ok with her assistant Maria Helena. Then she called to the Val’s phone and left us talk. Val answered very moved, saying he was worried without news and started crying. I told him I couldn’t connect in Lisbon. He was really touched, told me how much I am important to him and asked how was I and if everything was right. I said that was fine, although I was tired and I’ll keep in touch as soon I had internet connection.

I took a shower while a wonderful scent, which I still don’t know where it comes from, through to the window. I wear a warm clothe, because it was cold and windy. I opened the balcony and smoked slowly a cigarette while I was listen, breaking dawn, the corners of the alcoran from a nearby mosque. The cold wind invites me into the room and I pick up a wool blanket. I return to the balcony and, totally delighted by night, I thought about Salvador and their similarities and distinctions compared to Dakar. Sure about many experiences to come, I lie down and dream deeply.


Cheguei em Dakar à meia noite do dia cinco de abril, depois de uma viagem de quase vinte e quatro horas com uma escala em Lisboa, onde fiz uma pequena incursão pelo Centro, com direito a bacalhau e pastel de nata no Rossil . Logo na chegada percebi uma grande diferença na qualidade e no funcionamento do aeroporto. O ônibus que nos transportou até a grande sala de concessão de vistos era muito precário. Todo o espaço também. Isso longe de qualquer expectativa já vivida nas mais simples rodoviárias do Nordeste do Brasil. Apesar disso, todo o processo foi bastante tranquilo, mesmo não compreendendo absolutamente nada do francês misturado com o wolof, que os agentes da polícia falavam. Fui encaminhado para um guichê onde fiz meu registro biométrico. Polegares, indicadores e uma foto do rosto em um equipamento de última geração. Tudo em um certo clima de caos, agravado pela sonoridade agressiva de uma língua não tonal que orientava o procedimento. Pois bem, o policial, ao identificar minha procedência brasileira, me levou diretamente para o delegado dos vistos, que assinou meu documento e me saudou com um largo sorriso, dizendo: “Les brésiliens sont toujours les bienvenus”. Ele vestia uma farda militar que imediatamente me fez lembrar o Tenente Heráclito, meu pai. Isso aliviou a minha tensão e, de certa forma, sentia que a energia de Ogum abria os meus caminhos pela África. Já com o passaporte carimbado, sigo para apanhar as bagagens, que já estavam na esteira, para, em seguida, levá-las para a máquina de raio X. Tudo certo: não abriram a minha bagagem e não questionaram a quantidade de equipamentos fotográficos que transportava. Saí com minhas coisas em um carrinho por um pátio ao ar livre, cercado por grades de proteção e no lado externo via pessoas com placas de identificação de hotéis e muitos taxistas que me abordavam insistentemente. Procurei Koyo e não a encontrei. Então lembrei-me das suas orientações sobre telefonar para ela assim que chegasse. Mas como o faria, se meu telefone não funcionava aqui? Foi quando um jovem rapaz com colete de identificação cadastrado no aeroporto me abordou perguntando se eu não gostaria de ligar do telefone dele para o meu contato. Assim o fiz, falando enfim com Koyo, que me pediu que passasse o telefone para o jovem a fim de acertar um local onde deveria esperá-la. O jovem meu pediu um pagamento pelo serviço, perguntei: “quanto?”. Ele me disse: “duas cervejas”. Como só tinha euros na carteira, lhe ofereci € 5,00. Koyo chegou em cinco minutos, linda e sempre elegante, me saudando e dizendo o quanto estava feliz em me ver. Conversamos sobre a viagem e fomos adentrando uma Dakar pouco iluminada e vazia. No caminho passamos por uma grande tenda precariamente montada às margens de uma larga avenida onde ocorria uma celebração religiosa islâmica. Era um dia de feriado por dois motivos: a Independência e a Páscoa. Chegamos na Raw, onde fui apresentado a meu estúdio e fui instruído sobre o funcionamento da acomodação – o banho, a estrutura da cozinha, os armários etc.

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Perguntei sobre a internet, pois precisava dar notícias para Val. Tentamos colocar a senha do wi-fi no meu telefone e não conseguimos. Koyo me informou que recentemente tinham trocado a senha e que no dia seguinte tudo se resolveria com sua assistente Marie Helena. Então ligou para o telefone de Val e permitiu que nos falássemos. Val atendeu muito emocionado, dizendo que estava aflito sem minhas notícias e começou a chorar muito. Expliquei que não consegui conexão em Lisboa. Ele estava realmente muito tocado, me disse o quanto eu era importante para ele, me perguntou como eu estava e se tudo tinha dado certo. Falei que estava bem, embora muito cansado, e que manteria contato assim que tivesse conexão de internet.

Tomei um banho enquanto um maravilhoso perfume, que ainda não sei de onde vem, entrava pela janela. Vesti uma roupa quente, pois fazia frio e ventava muito. Abri a varanda e fumei um cigarro demoradamente, enquanto ouvia, rompendo a madrugada, os cantos do alcorão de uma mesquita próxima. O vento frio me convida a entrar no quarto e apanho uma manta de lã. Volto à varanda e, totalmente encantado pela noite, penso em Salvador e suas similaridades e distinções comparadas com Dakar. Certo de muitas experiências por vir, deito e sonho profundamente.

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About Ayrson Heráclito

Born in 1968, in Macaúbas, Brazil. Lives and works in Salvador, Brazil / Nasceu em 1968 Macaúbas, Brasil. Vive e trabalha em Salvador, Brasil.

One comment

  1. Muito evocativo. Estou adorando Little Fo Diarista/Jornaleiro… Aguardo mais aventuras dakarianas.

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